Como os cursos de jornalismo do Brasil estão se preparando para a “era da convergência”? A rigor, será que estão realmente se preparando? Foi a partir destas questões que professores e pesquisadores da área reuniram-se no dia 26 e 27 de agosto em Florianópolis para “I Seminário Nacional de Ensino de Jornalismo”.

O evento foi organizado pela Rede Procadjor, que reúne quatro programas de pós-graduação em Comunicação/Jornalismo no país (UFSC, UTP, USP e UFBA).

Em breve, os papers devem estar disponíveis na página do projeto.  Por ora, compartilho aqui algumas anotações e reflexões.

Como bem afirmou Elias Machado,  prof. do Mestrado em Jornalismo da UFSC e, junto com Tattiana Teixeira, organizador local do Seminário, o ensino de jornalismo no país é uma “caixa preta” – não existem dados sequer sobre o número de cursos em funcionamento no país.

São reveladores, embora não surpreendentes, os dados iniciais apresentados pelos integrantes da Rede a partir de uma metodologia comum. O levantamento nos três cursos da Grande Florianópolis, por exemplo, identificou que a reflexão e prática do ensino de jornalismo digital limita-se a algumas disciplinas isoladas, normalmente posicionadas na segunda metade das matrizes curriculares. Embora a transversalidade seja apontada pelos professores como algo importante, não há um diálogo com as demais áreas do jornalismo, que, na prática, são igualmente impactadas pela digitalização.

Em Curitiba, o cenário não é muito diferente, conforme apresentação de Álvaro Laranjeira (UTP), que pesquisou três dos cursos oferecidos na cidade (UFPR, PUC-PR e UNIBRASIL). Uma das descobertas interessantes é a ausência, nos Projetos Político Pedagógicos dos cursos, de reflexões ou mesmo indagações sobre o momento de incertezas tecnológicas e conceituais que o jornalismo vivencia na atualidade. “Os projetos são propositadamente harmônicos”, analisa.

Gerson Martins (UFMS) apresentou uma pesquisa comparativa entre os cursos do Rio Grande do Norte e do Mato Grosso do Sul. Realizado com metodologia própria, o estudo realizado entre 2006 e 2009 identificou, entre outras questões, um uso intenso das ferramentas tecnológicas por alunos e professores – para fins pessoais, principalmente – e a inclusão recente de disciplinas na área de ciberjornalismo nos cursos dos estados.

Foi interessante também compartilhar reflexões sobre o ensino de jornalismo em cidades do interior, nas quais não há uma indústria regional de comunicação instituída. A professora Carlida Emerim, da Universidade Federal do Pampa, dissertou sobre os “Desafios do ensino do telejornalismo no interior”, com foco nas cidades de Bagé e São Borja, ambas no interior do RS. Já a experiência de integração entre as plataformas analógica (jornal impresso) e digital (blog) foi apresentada pelo Demétrio Soster, da Unisc. No blog do Unicom, ele e os alunos em Santa Cruz do Sul (também interior do RS) têm procurado novas formas de linguagem, como o formato teleweb.

Outro trabalho que deu o que falar foi o Jornal Comunicação, desenvolvido no curso da UFPR e apresentado pelo prof. Toni Scharlau. O esforço para integrar produções de várias disciplinas e áreas do jornalismo e a reprodução do funcionamento de uma redação pareceram-me os pontos altos do trabalho.

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Minha intenção inicial era apresentar um paper neste evento – mais especificamente uma reflexão sobre a wikificação dos processos de produção de textos para o site do curso da UFV. Com os prazos apertados para finalização do Projeto Pedagógico do curso, o artigo ficou pela metade, quem sabe para um próximo seminário.

Ainda sem um artigo para apresentar, decidi manter a viagem. Valeu a pena, inclusive para perceber que, ainda que não tenhamos feito uma mudança tão significativa na estrutura do curso da UFV, aparentemente estamos “à frente” de vários cursos no esforço de aproximação das diferentes áreas do jornalismo.

E bateu uma grande curiosidade sobre como os cursos de jornalismo de MG estariam (?) se preparando para esta nova realidade…