Cultura da convergência por Henry Jenkins

Posted on 7th junho 2011 in Posts (2011), Seminários (2011)

Por Lauzemir, Frederico, Cibelih, Bruno, Izaulina, Taís e Robson

 

Henry Jenkins ll pesquisador e professor, este norte-americano de 53 anos se define como um profílico impulsivo, ou seja, uma pessoa sem limites acadêmicos. Seu trabalho é amplo e percorre grande parte do conhecimento das ferramentas da internet e do universo virtual. Fã da cultura geek e gamer assumido ele conseguiu juntar hobby e trabalho e hoje é considerado pioneiro em “cultura da convergência”, foco principal deste post.

 

 

 

Em seu livro “Convergence Culture” o autor estuda esse novo – ou velho? – movimento cultural, em que os consumidores da mídia tem participação ativa na criação do conteúdo. Os produtores, ou emissores, se encontram em um novo patamar ideológico burocrático, por deter um controle que, na prática, se encontra deslocado. O caso Dino Ignacio e “Beto é do mal” ilustra de forma cômica e nos mostra como ainda surpreenderá este contexto atual em que a mídia antiga se choca com a mídia participativa, bem como a adaptação do broadcasting (transmissão de massa) pelo narrowcasting (transmissão em nicho) e as consequências para o público. E em síntese o termo convergência é melhor explicado como o fluxo de informação entre os vários suportes midiáticos – cada um com sua especifidade – e como a migração do público em busca do conteúdo desejado.

 

 

Sobre o New Orleans Media Experience de 2003 o autor descreve detalhes tanto dos participantes quanto das empresas presentes e mostra suas expectativas sobre tal encontro. Traduz suas mensagens em três tópicos:1-     A convergência está chegando e é bom você se preparar;  2-     A convergência é mais difícil do que parece; 3-     Todos sobreviverão se todos trabalharem juntos. Através do cenário contemporâneo o autor introduz conceitos como inteligência coletiva, transmedia, convergência e cultura de participação. Todos os ramos da mídia juntos tentando sobreviver ao turbilhão tecnológico.

 

Os velhos meios de comunicação não são substituídos por novos meios, mas apenas transformados pela introdução de novas tecnologias. Existe uma idéia chamada por Jenkins de “falácia da caixa preta”, na qual cedo ou tarde todos os conteúdos midiáticos estarão reunidos numa única caixa preta. Conceito refutado pelo argumento de que a transformação dos meios é somente tecnológica, esquecendo do aspecto cultural deles.

 

Esse fenômeno das caixas pretas é um sintoma da convergência, que altera as relações entre as tecnologias existentes indústrias, mercados, gêneros e públicos. Entretanto, deve ser lembrado que o fenômeno de convergência é um processo, e não um ponto final.

 

 

Em entrevista dada a revista do programa de pós-graduação da Universidade Federal Fluminense ele fala sobre esse ambiente midiático e como a convergência está transformando nossas vidas. Com uma postura positiva sobre o que define como “cultura participatória” e o potencial do consumidor de diversificar o conteúdo cultural e democratizar o acesso aos canais de comunicação. Elege a questão da propriedade intelectual como “o campo de batalha aonde será determinado o quão nossa cultura é participatório”, ressaltando assim a importância do atual momento da indústria cultural, dividida entre a demanda do público por livre acesso aos bens e a vontade de grandes empresas de controle. Ainda mostra o papel que a escola deveria incorporar ao processo pedagógico, por meio do aprendizado coletivo utilizando as novas mídias. Entretanto mesmo com todos os pontos positivos, ele ratifica como o uso das redes sociais podem refletir doenças sociais, como forma de segregação.

 

Quando se tem contato com o último capítulo do livro “Olhares da rede “ podemos ver uma análise do conceito de engajamento como fundamental para as empresas midiáticas nessa que ele chama de era da re-emergência da cultura popular. Segundo ele, o sucesso dos veículos de informação depende do incentivo dos mesmos sobre a participação efetiva do público, que nessa nova era, é fundamental para o alcance do que ele denomina de economia de plenitude.

 

Com a intensa midiatização da sociedade, o resultado, que tem o nome de convergência se torna o problema da comunicação. O problema não está na forma de produção, e nem nas mídias de convergência, mas sim na forma como a informação circula, e seus impactos.

 

Quando se leva em consideração o compartilhamento de músicas na internet e a perda da força da indústria fonográfica a pergunta que muitos fazem é se esse tipo de indústria irá acabar. No entanto estudos das mídias convergentes indicam que os meios nunca acabam, apenas os suportes. É a etapa da adaptação das antigas mídias a esse fenômeno que contribuirá para a formação sólida da cultura de convergência

 

Um exemplo famoso da desenvoltura da cultura da convergência é o de Antoine Dodson, o inspirador da Bed Intruder song, música que teve  como motivo a entrevista de Antoine a uma rede de TV em que defendia sua irmã de um invasor domiciliar. Por  meio de mixagem usuários do Youtube criaram versões de sua entrevista utilizando programas de edição áudio-visuais. Seu sucesso foi tão grande, que a música foi uma das mais baixadas no Itunes.

 

 

 

Cultura da Convergência no Brasil

 

 

Henry Jenkins diz ter criado esse blog como um meio para compartilhar algumas de suas idéias sobre os processos detransformação que a mídia passa atualmente, e se dedica a temas como entretenimento transmídia, comunidades de fãs e cultura participativa.

 

Jenkins afirma ter escolhido o português para a primeira tradução de seu blog, e não foi por acaso, pois queria facilitar o acesso dos brasileiros ao blog. Segundo ele o Brasil está passando nesse momento por grandes transformações e tem um crescente potencial de influência na cultura global no século XXI.

 

Países como Japão, Coréia e Índia conquistaram um público global para produtos que anteriormente eram locais. Conseguiram fazer isso pois se apoiaram no poder da cultura popular e no interesse de uma população mundial jovem que busca um menu diversificado de cultura. Em todos os casos, a divulgação desses produtos a nivel internacional se deu através de mediadores informais, no caso, fãs da cultura pop internacional e imigrantes, que tiveram o papel de ensinar diversos públicos sobre a cultura de seu país.

 

O Brasil teria, segundo Jenkins, um grande potencial para exportar seus produtos culturais, mas para isso, afirma, por exemplo, a necessidade de criar um vídeo que possa ser incorporado a vários contêxtos, não se prendendo a apenas um ambiente tendo em conta que ele é valorizado porque “pega”. Ao valorizar o “isso pega”, é provável que o produto não atinja atenção periférica, se restringindo aos consumidores regulares.

 

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